Que água fresca vem do céu? - Biografias Eróticas

Que água fresca vem do céu?

Tinha acontecido no dia anterior. Ainda pensava no Adérito e como tinha abusado da minha sorte. Não me arrependia de ter tido sexo com  ele. Tinha-me dado prazer ter-me oferecido a ele, e ele ter correspondido, como um jogo de silêncios em que se pensa, decide, age, e as coisas acontecem.

Nem sempre se pensa é nas consequências e eram essas que me causavam medo, de ser falado e gozado, como aquele que deu o cu, o paneleiro, de ser motivo de risota, num grupo de miúdos pobres, que me pusessem de lado e me humilhassem.

De certa maneira era um sentimento novo, de ter sido imprudente, o Adérito podia contar a outros, sei lá, para se vangloriar, dizer-lhes que me fora ao cu, e, o Guilherme, mais puto como eu, também, tinha a certeza de que vira o Adérito a enrabar-me e podia, não sei, contar a outros putos ou até ao irmão mais velho, o Gabriel. 
Passei a fugir da aldeia, pela manhãzinha cedo, com o meu avô para a propriedade, a cerca de uma hora de caminho, onde já conhecia o lugar, um ribeiro de água nascente, ao cimo da terra agrícola, onde se formava uma pequena lagoa e queda de água cristalinas encimada por fragas de granito.

Era para onde ia, lá em baixo o meu avô amanhava a terra, nu dava mergulhos e estendia-me ao sol, ninguém aparecia por ali, a terra era distante da aldeia e os bocados que a rodeavam eram partilhas de familiares antigos.

Não esperava que me aparecesse o Guilherme naquela lagoa intima em que se viam as pedras do fundo, uma espécie de primo afastado e não era surpresa ele estar ali, aproximou-se de mim, riu-se envergonhado, nós da mesma idade miúda, e perguntou-me como estava, não era normal, quase me pediu perdão para se despir e mergulhar na água fresca. 

Sentia-lhe o desejo de uma experiência com a certeza de que estava ali não por um acaso qualquer, mas para estar comigo, deve-me ter visto passar de manhã cedo com o meu avô, e percebeu logo onde estaria o dia todo, naquele oculto e pequeno paraíso sagrado.

"Vi-te ontem com o Adérito? Gostaste?", perguntou. "Gostei", disse, "ele foi-te ao cu, deixas-me ir?", insistiu, não sei se era isto que me preocupava, se calhar tinha feito uma asneira, só por ser ali na aldeia da minha mãe, por causa do meu avô, e agora iam aparecer putos ou graúdos de todo o lado para me quererem enrabar.

O Guilherme o meu primo distante, tinha andado mais de uma hora a pé, só para estar ali comigo, para ver se o deixava ir-me ao cu, aproveitava a vantagem de só ele saber, imaginava quando todos soubessem.

Ri-me, respondi-lhe "deixo, mas primeiro tens que me dar o teu", "se me deres, sabes que eu dou-te a seguir, mas assim sei que não dizes a ninguém", continuei.

Não devia estar à espera, pensou que eu era fácil, e se abri as pernas ao Adérito, também as abria a ele, leio-lhe nos olhos "ele é paneleiro, e os paneleiros gostam de levar no rabo", e se me pedia para ir ao cu, pensava, como eu gostava, o mais certo era dar-lhe também.

Eu tinha vontade, mas tinha de seduzi-lo, fazer dele meu cúmplice, gostar do que eu gosto, enganá-lo, comer-lhe o rabo, comer ele o meu, e tornar a experiência nossa, não dele ou minha.

Olhava-lhe o corpo, mais seco que o meu, bronzeado, alourado, como um cigano, estendidos ao sol, protegidos na intimidade das árvores, tê-lo ali nu comigo, juntos numa união de carne, sexo e natureza livre, punha-nos os pénis tesos, a aguardar uma expectativa, uma trovoada à espera de rebentar.

"Não te quero dar o cu, não sou paneleiro", disse-me, "se deste o cu ao Adérito, e disseste que gostaste, é porque és", prosseguiu, o pénis dele explodia como o meu, sedento, olhava-me o corpo, o rabo, a pedir-me em gestos de silêncio "vira-te, deita-te e deixa-me comer-te o rabo".

Puxei-o para junto de umas árvores, escondidos ali como dois meninos, pedi-lhe para tocar no meu pénis, que me batesse uma punheta, eu batia-lhe uma a ele, e dizia "isto não é ser paneleiro".

Com a promessa de cu a muito custo, agarrou-me no caralho e começou a movê-lo, para baixo e para cima pedi-lhe "devagar", encostava-me para trás e, olhava-lhe a boca e os lábios húmidos, uma rijeza nos mamilos e dos ombros, que me diziam estar a gostar.

Excitava-o a experiência, mais que o próprio sexo, estar ali comigo, dois amantes a trocar caricias divinas, aproximei o meu corpo do dele, juntei-lhe as pernas com as minhas, sentindo e vendo um ânus tremente, a pedir como o meu para o comer.

Batíamos uma punheta um ao outro, as nossas bocas unidas pelo hálito e o calor, por baixo acariciei-lhe o ânus, relaxando-o com os meus dedos, de desejo sentido nos seus lábios, a mover as ancas ao sabor da minha mão, como se fossem poucos os meus dedos.

Curvei-me sobre mim, metendo o pénis dele na minha boca, massajava-lhe o ânus, abrindo-lhe as pernas e as nádegas, preparando-o para ser meu.

Virei-o, sussurrei-lhe "não tenhas medo, confia em mim", não lhe dei tempo, abri-lhe as nádegas, deitado em cima das costas dele, enterrei-lhe o pénis no cu, senti-o a tremer de medo e prazer, de dor querida e consentida, até ao fim.

Unidos como um, levantava as nádegas a querer mais, eu a dar-lhe tudo, a bater-lhe com as minhas ancas, num momento silencioso e cúmplice, ao som da água fresca, com as nossas cabeças juntas, a minha boca próxima da dele, enrabei o Guilherme.

"Estás a gostar?", perguntava, diziam-me sim os olhos dele, "bate uma punheta em ti", dizia, a penetrar-lhe o ânus, estremecemos juntos a gemer, com um orgasmo único de dois amantes perfeitos, até que ele se veio e eu nele.


Ouvimos o meu avô, era hora de regressar a casa, descemos cúmplices a guardar o segredo nosso, cá em baixo com ele, estava o Almeida, com propriedade na zona, já o vira na igreja, sacristão da terra, com mulher e filhos, ela feia, com buço, eles pequenos presos na ideia dele.

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