2017 - Biografias Eróticas

Erótica - música de Madonna

22:59 0
Erótica - música de Madonna
Erotica
Erotica, romance
Erotica, romance

My name is Dita
I'll be your mistress tonight
I'd like to put you in a trance

If I take you from behind
Push myself into your mind
When you least expect it
Will you try and reject it?
If I'm in charge and I treat you like a child
Will you let yourself go wild
Let my mouth go where it wants to

Give it up, do as I say
Give it up and let me have my way
I'll give you love, I'll hit you like a truck
I'll give you love, I'll teach you how to

I'd like to put you in a trance, all over
Erotic, erotic, put your hands all over my body
Erotic, erotic, put your hands all over my body
Erotic, erotic, put your hands all over my body
Erotic, erotic

Once you put your hand in the flame
You can never be the same
There's a certain satisfaction
In a little bit of pain
I can see you understand
I can tell that you're the same
If you're afraid, well rise above
I only hurt the ones I love

Give it up, do as I say
Give it up and let me have my way
I'll give you love, I'll hit you like a truck
I'll give you love, I'll teach you how to

I'd like to put you in a trance, all over
Erotic, erotic, put your hands all over my body
Erotic, erotic, put your hands all over my body
Erotic, erotic, put your hands all over my body
Erotic, erotic

Erotica, romance
I'd like to put you in a trance
Erotica, romance
Put your hands all over my body

I don't think you know what pain is
I don't think you've gone that way
I could bring you so much pleasure
I'll come to you when you say
I know you want me
I'm not gonna hurt you
I'm not gonna hurt you, just close your eyes

Erotic, erotic
Erotic, erotic
Erotic, erotic
Erotic
Put your hands all over my body
All over me, all over me

Erotica, [give it up, give it up] romance
I'd like to put you in a trance
Erotica, [give it up, give it up] romance
I like to do a different kind of
Erotica, [give it up, give it up] romance
I'd like to put you in a trance
Erotica, romance
Put your hands all over my body

Only the one that hurts you can make you feel better
Only the one that inflicts pain can take it away

Eroti - ca


Erótica
Erótica, romance
Erótica, romance

#2 Pérolas de Fim de Verão

23:23 0
#2 Pérolas de Fim de Verão
José Bezerra da Silva (Recife, 23 de fevereiro de 1927 — Rio de Janeiro, 17 de janeiro de 2005) foi um cantor, compositor, violonista, percussionista e intérprete brasileiro dos géneros musicais coco e samba, em especial de partido-alto.

No princípio, dedicava-se principalmente ao coco até se transformar em um dos principais expoentes do samba nos anos seguintes. Através do samba, cantou os problemas sociais das favelas e da população marginalizada, atuando ente marginalidadee indústria musical. Estudou violão clássico por oito anos e passou outros oito anos tocando na orquestra da Rede Globo, sendo um dos poucos partideiros que lia partituras.

Gravou seu primeiro compacto em 1969 e o primeiro disco em 1975, de um total de 28 álbuns lançados em toda a carreira que, somados, venderam mais de 3 milhões de cópias.

Ganhou 11 discos de ouro, 3 de platina e 1 de platina duplo.[3] Apesar de ter sido um dos artistas mais populares do Brasil, foi um artista bastante ignorado pelo "mainstream".

Belos videos dos seus compositores, um deles Nilo Dias




* Caguete: Sujeito que entrega outra pessoa.
"Era caguete sim, era caguete sim, eu so sei que a policia entrou no velório e o dedão do safado apontava pra mim." (Bezerra da Silva).

#1 Pérolas de Fim de Verão

23:07 0
#1 Pérolas de Fim de Verão

As Rosas Não Falam

Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão
Enfim
Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar
Para mim
Queixo-me às rosas
Que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai
Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
Por fim
Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão
Enfim
Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar
Para mim
Queixo-me às rosas
Que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai
Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
Por fim
Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
Por fim

Satyricon de Fellini (Filmes para férias)

18:23 0
Satyricon de Fellini (Filmes para férias)
Filme baseado em livro escrito por Gaius Petronius, ainda Cristo não era nascido, cerca de um século antes.

No Satyricon, Petrónio demonstra as manifestações sociais e o panorama cotidiano dos romanos. A história é baseada nas peripécias de Encólpio, narrador e personagem principal – que havia profanado o culto a Priapo –, Gitão, um rapaz por quem Encólpio se apaixona e Ascilto, com quem formam um triângulo amoroso, que depois será substituído por Eumolpo, poeta de péssima categoria. 

É claro que não podemos esquecer que o julgamento crítico do livro deve ser sempre relativizado, pois há muitas dúvidas temporais e de registos. Porém, é claramente demonstrado, que Petrónio constrói no Satyricon um universo miserável e corrupto que representa diversas classes sociais e um vasto panorama cotidiano dos romanos. Dessa forma, o autor extrapola o universo literário, e chega a reflexões ligadas à filosofia, à história e à crítica sociológica.

Estranho que chegue, mas não diferente do presente.

Soneto do Olho do Cu (em férias)

22:03 0
Soneto do Olho do Cu (em férias)
Nada pior que a crise da folha branca e para a atacar de frente nada como fazer umas férias.

O “Soneto do olho do cu” não foi divulgado na forma impressa, mas preservado durante décadas, em ambíguo ocultamento que também significou sobrevivência.

Rimbaud e Verlaine não escreviam para se tornarem autores canónicos (o que lhes renderia, além de prestígio, muito dinheiro). Pelo contrário, enfrentavam os cânones do gosto e das relações de poder. 

Poetas malditos à época e porventura ainda hoje, porque, bem vendo, pouco ou nada mudou, apenas a máscara, sobreviveram ao tempo, os outros não.


SONETO DO OLHO DO CU

Obscuro e franzido como um cravo roxo,
Humilde ele respira escondido na espuma,
Úmido ainda do amor que pelas curvas suaves
Dos glúteos brancos desce à orla de sua auréola.

Uns filamentos, como lágrimas de leite,
Choraram, ao vento inclemente que os expulsa,
Passando por calhaus de uma argila vermelha,
Para escorrer, por fim, ao longo das encostas.

Muita vez minha boca uniu-se a essa ventosa;
Sem poder ter o coito material, minha alma
Fez dele um lacrimário, um ninho de soluços.

Ele é tonta azeitona, a flauta carinhosa,
Tudo por onde desce a divina pralina*,
Canãa feminino que eclode na umidade.

(Paul Verlaine e Arthur Rimbaud)


A tradução é de Heloísa Jahn e está no livro Para ser caluniado – Poemas Eróticos, mas a beleza dos detalhes é invenção e culpa exclusivas dos poetas.

(*) pra.li.na sf (fr praline) Noz confeitada.


No que se refere ao objeto tematizado pelo poema de Verlaine e Rimbaud (o olho do cu), há um riso de acolhimento, visão carinhosa e desejante daquela parte menosprezada do corpo - um olho de fêmea, conforme a referência parodiada e o anúncio no verso final: Canaã feminino. 

Na condição de paródia, essa identificação de género se torna objecto de flutuações: será isso mesmo? E o ato de parodiar também permite perceber que nada é apenas sagrado nem apenas maldito, no jogo sem fim da metaliteratura, rindo do objeto de paródia, mas também rindo de si. O corpo e a literatura são objetos do riso, e também sujeitos desse ato. O riso de Rimbaud e Verlaine sabe que faz parte do mundo rido e ridente.

O poema apresenta o olho do cu, antes de mais nada, através de imagens que remetem a sua difícil visibilidade (obscuro), misturada a desprestígio social (identificação a sujeira, feiúra – virada pelo avesso no poema, todavia), a seu caráter tátil (pregueado), a cor e potencial aroma (cravo violeta). É como uma flor de difícil acesso, para ser vista, apalpada, cheirada. Trata-se de um trânsito repentino, do ignóbil ao absolutamente nobre, beleza visual, perfume e textura de flor, dotado de uma nobreza outra, diferente dos valores instituídos. E a poesia de Rimbaud e Verlaine opera esse trânsito.

(Rir do Corpo - Paródia e riso num poema de Rimbaud e Verlaine (Marcos Silva))

Como dar o rabo - 3 passos

22:01 0
Como dar o rabo - 3 passos
Não me ligo nessa coisa do estereotipo do homossexual. Não quero, não desejo, não amo, não gosto, nem penso ter uma relação com outro homem. Tenho só esta coisa de gostar da sensação erótica, livre e espontânea de ser enrabado. Sexo, erotismo, sentidos sem sentimentos. 

Mas dar o rabo a outro homem pressupõe que se retire prazer. Aí o prazer pode ser de vários tipos dependendo da pessoa que dá e que recebe o cu. Pode ser sensual erótico, sadomasoquista, ou outro, como de submissão ou dominio.

Poderá ser só abrir as pernas e pronto, como poderá ser algo mais, como uma experiência emocional e afectiva, que envolve os sentidos, e para quem o deseje, sentimentos mais descomplicados como o de amizade.

Elenco alguns pontos a ter em conta:

1. Desmistificar o ânus:

O ânus, talvez por não ser um instrumento de órgão reprodutor como o pénis e a vagina, e ao mesmo tempo estar associado à libertação dos resíduos não desejados pelo corpo, tem associada a carga pejorativa de local sujo.

Só que por vezes parece esquecer-se que também o pénis e a vagina são instrumentos de libertação de resíduos não desejados pelo corpo. Está bem, uns são líquidos e outros sólidos, mas tal não significa que não sejam igualmente sujos. 

O ânus, mais propriamente o recto, se vazio, possui elementos internos que o tornam limpo e fazem dele um meio sexual mais higiénico até que a vagina ou o pénis.

A maioria das doenças sexualmente transmissíveis têm origem na utilização de uma vagina não higienizada.

Donde a questão é sempre a mesma, saber escolher com quem se tem relações, aproveitando o potencial erógeno do ânus, sabendo distinguir uma pessoa de carácter e de corpo limpos, daqueles que o não são.

E não se esqueça que dar o cu é natural, olhe bem para os animais, não todos é certo, mais os parecidos com o homem, gostam de dar, levar e comer o cu.

Imagem de Mystic Art Design por Pixabay

2. Preparação e ambiente

A preparação e o ambiente são muito importantes de quem gosta de dar o cu. Só que há sempre muitas circunstâncias que podem colocar em causa esses factores, tendo que adaptar-se às várias situações que ocorrem.

Um engate ocasional é diferente do contacto ou ligação com um amigo com quem se combina previamente um encontro e há tempo para se preparar tudo.

Ter uma relação em casa, é diferente de tê-la num hotel, num carro, ou até numa casa de banho. O ideal é tê-la em casa no recato da habitação, com alguém que se conhece, moderando o ambiente, uns cheirinhos que contam, umas luzes mais tranquilas, uns espelhos que são muito importantes, lubrificante e óleos essenciais.

Mas compreendo que por vezes no carro à saída de um bar, ou até numa casa de banho de uma discoteca ou qualquer outro sitio, pode ser mais excitante. Aí na preparação contam os gestos, a colocação da voz, o saber entender e excitar o outro.

3. Execução de dar o cu

Esta deve ser a parte mais fácil. Mas cuidado o cu devido à sua dinâmica própria tem tendência para fechar. Mesmo para aqueles que sabem ir ao cu, tem que se dar sempre umas instruções e pedir paciência. Se estiver lubrificado a pénis pode escorregar melhor, mas isso não implica que não custe um bocadinho ao principio.
Dica útil: Quando me estão a penetrar, eu costumo bater na perna dele, como que a dizer "agora só a cabecinha, espera um pouco". Vou sentindo o cu a abrir devagarinho, mais fácil se estiver com muita tesão, e vou dando instruções para meter mais lá dentro.
Quando o cu está bem lubrificado de cima a baixo, eu gosto de dizer "parte-me o cuzinho todo", para manter o homem focado no meu cu. Para o incentivar ainda mais, gosto de olhar para ele, a abrir uma nádega e a empinar o rabo, para o excitar.

Há mais, mas isto é o mais importante.

Dar o cu é bom e faz bem

19:53 2
 Dar o cu é bom e faz bem

História

Há aproximadamente quatro mil anos, Deus olhou para a Terra e apanhou em flagrante os habitantes de uma cidade entre o Rio Jordão e o Mar Morto entregues aos prazeres da carne – mais especificamente, do ânus. 

É o que conta a Bíblia sobre Sodoma e como o seu povo teria desaparecido, por volta do ano 1.400 A.C, ao provocar a ira do Senhor com tamanha lascívia. Os sodomitas desapareceram, mas, hoje, em pleno século 21, o pecado deles permanece vivo entre nós.

Embora se fale mais no assunto de dar o cu, por exemplo, o de o comer a outro homem, o assunto continua tabu.

Não é para menos. A região anal não foi necessariamente “projetada” para o sexo e, nos países com forte influência religiosa, usar uma parte do corpo pura e simplesmente para o prazer é chocante. 

Apesar de ir e levar no cu ser uma prática comum nas relações sexuais entre homens e até com mulheres, além de não servir para a procriação, no geral a sociedade é ainda muito preconceituosa.

O preconceito com o cu, porém, é proporcional ao nosso fascínio pela região. 

Recentemente, uma performance artística causou enorme polémica porque os atores exploravam os ânus uns dos outros em cena. 

“Isso lá é arte?!”, esbravejaram os mais educados críticos da internet sobre o espetáculo “Macaquinhos”, que foi exibido até na Europa.

O cu, antes marginalizado, agora é uma estrela.

Hipocrisia

Se, na prática, o cu tem o seu lugar cativo, no discurso, não é bem assim. 

Há hipocrisia em relação a sexo. Na pornografia, por exemplo, há pesquisas que mostram que as pessoas, ao mesmo tempo em que usufruem de pornografia, reprovam o seu consumo.

No caso do sexo anal heterossexual, estudos recentes mostram que há mais abertura para a prática, embora não seja possível ter a certeza se as pessoas estão fazendo mais ou apenas falando mais sobre o assunto. 

O problema é que, para a maioria das pessoas, o sexo anal ainda é para ‘dar de presente’, e não visto como uma potencial fonte de prazer, enquanto outros acreditam que dar o cu é um hábito de gays, meninas “fáceis” e de “vagabundas”. 

Comer cu é poder

A noção pejorativa da prática de ir ao cu tem raízes históricas, em que a penetração anal está associada unicamente à dor e à submissão. Ao ouvir ‘sexo anal’, ninguém pensa em carícias e beijos, muito menos entre duas mulheres. 

O imaginário masculino também se alimenta dessa noção. Para um homem heterossexual, é relativamente fácil obter sexo vaginal com a parceira, já o anal é mais difícil (isto devido a preconceitos e limites morais) e, portanto, mais “valioso”.

“O cu é o novo hímen”

Photo by Charles 🇵🇭 on Unsplash
Para completar a mítica que envolve o ânus, existe ainda a influência de preconceitos de género nos discursos sobre o assunto. De acordo com o senso comum, se um homem pratica sexo anal com a sua parceira, ele é o herói. 

Já a mulher que decide explorar essa possibilidade é uma vagabunda. “Na superfície social, o homem percebe isso de forma compulsória, do tipo ‘se ela quiser praticar, tudo bem’. 

O mesmo não acontece na perspectiva feminina: se uma mulher menciona o sexo anal, significa que há algo de mau com ela.

Questão de saúde

Para completar, existe uma enorme carência de informações sobre todos os aspectos envolvidos na prática. 

Mas, e se acontece um “acidente sujo”? A possibilidade de sair um pouco de fezes durante o sexo anal é real e, talvez, seja um dos principais factores que impedem o relaxamento das mulheres. 

Actualmente, existem uma série de dispositivos vendidos em farmácias e sex shops que ajudam a “limpar” o canal do reto.

O uso desses recursos pode deixar a mulher mais tranquila, mas é impossível – e nem seria recomendado, fazer uma limpeza completa.

Jogo de sedução

Na hora do vamos ver, só faz sentido se a mulher também tirar proveito da prática, se permitindo explorar novas sensações e usufruir de sua autonomia no sexo. 

Há mulheres que se sentem ‘putas’ quando fazem sexo anal, entrando no papel daquela que faz tudo na cama. Isso pode ser interessante, desde que ela sinta prazer nesse jogo.

Para algumas mulheres, no entanto, o papel de submissa é indissociável do ato. E tudo bem: não quer, não faz. E o parceiro tem que entender. 

Assim como são diversas as mulheres, são diversos os seus desejos. Então, para obter prazer no sexo anal a palavra-chave é experimentação.

Como começar?

Obviamente, há dicas para quem pretende iniciar-se. A primeira delas é não começar, literalmente, com tudo. Pedir para o parceiro explorar a região com a língua, por exemplo, ajuda a descobrir como o corpo reage às sensações.

Um dia, sexo oral expandido; outro, a ponta de um dedo; no outro, o dedo inteiro e por aí vai.

Sempre com lubrificante, porque o ânus não tem lubrificação natural e o atrito da penetração (mesmo de um dedo) pode causar microfissuras.

E cuspo não basta: é ralo e seca logo.

Uma outra dica é conciliar a exploração anal com estímulos do clitóris, com os dedos ou mesmo com um mini vibrador (minivibrador só no clítoris, heim? No ânus pode aleijar.

Embora seja possível chegar ao orgasmo apenas dando o cu, as massagens na outra zona erógena ajudam a relaxar e a excitar.

Quem consegue usufruir garante: vale a pena. 

Dar o cu é uma libertação sexual. A mulher que o consegue livrou-se de muitas amarras sociais. 

Os espelhos são fundamentais para o sexo

09:05 0
Os espelhos são fundamentais para o sexo
Sempre gostei de ter espelhos em casa por todo o lado, e no quarto então a dobrar. 

Sei que há quem não goste, sentem que os espelhos os traem, revelam coisas de nós que sabemos ter mas não gostamos de confrontar. 


Dão-nos mais luz, com reflexo de nós próprios, para quem não se ilude, num caminho que se faz para o interior.


Não são todos iguais uns mais cruéis que outros, uns beneficiam mas não ajudam, outros ajudam mas fazem doer.

No meu quarto, para além do espelho do roupeiro, tenho um a todo o comprimento da cama e uns quantos no tecto numa decoração meio disfarçada mas insuspeita pois serve para mim, para a minha mulher, outros que apareçam, nos vermos a foder.

Os espelhos geram uma espécie de efeito turbo sexo, não me perguntem porquê, faz parte da natureza? a nossa mulher, por exemplo, gostar de ver no espelho o pénis a entrar-lhe na vagina ou eu, de gostar de o ver a entrar no meu cu.

É muito bom, não se esqueçam, usem espelhos.

Não há que ter medo de ir além do convencional

08:58 0
Não há que ter medo de ir além do convencional

Não sei bem se o pior medo das pessoas, senão o pior, um dos maiores, é de sair das zonas de conforto e pensar que não há retrocesso e é irreversível. 

Tudo depende muito do que se quer mudar, e se, em algumas coisas, não se deseja mesmo essa irreversibilidade.

No sexo, por exemplo, o meu tema principal, existe esse medo de ir para além do que ditam as convenções. 

Instala-se um sentimento de culpa e proibição que espartilha e sequestra causando essa ideia de proibido ou de pecado que leva as pessoas a não serem ou quererem mais do que os terceiros com afirmações e desejos de poder ditam aos outros.

E há também o medo da experiência, do crescendo, do não conseguir parar, como se ter sexo ou experiências de outros modos fosse uma espécie de droga, uma adição inconveniente, o querer sempre mais sem limites.

Concerteza que há limites, o problema é que para o sexo reprimido, que contamina depois quase tudo na vida, instalando-se em mentes quase sempre autoritárias, os limites razoáveis estão muito distantes.

É por isso que há que arriscar, querer mudar com o sentido de perda de algo que se não quer, aceitar a irreversibilidade, escolher outra vida, libertar-se, de ditames conscientes ou inconscientes.

Mesmo com o peso de que, como em tudo, algumas vezes se erra, mas um preço aceitável para sair da caixa infernal, do sufoco irrespirável das convenções.

Arrisque, não seja parvo, viva, há coisas que se perdem que não fazem falta nenhuma.




X # Uma massagem relaxante caseira ajuda a relação

08:48 0
X # Uma massagem relaxante caseira ajuda a relação
É daquelas coisas que ajudam a apimentar e a sair da rotina.


O como se faz está disponível em todo o lado, basta ler na internet, o problema é sempre fazê-lo e pronto. 

Ultrapassar um sentimento de culpa e de vergonha quase sempre vindo de limites dados por convenções ou como é percebido por terceiros como meio de poder e de domínio. 


A opção é escolher ser livre dentro de limites razoáveis que não sejam da escravidão espúria.


E sinceramente é coisa que nem é preciso ter conhecimentos, basta querer sentir e deixar-se levar por esse desejo simples e inocente.



Uma massagem relaxante à pessoa que se ama ou, se não for o caso, com quem se escolhe viver a vida. 

Dê a ele ou ela esse prémio, essa entrega, escolhendo um dia uma hora, um certo calor, um ambiente, uma musiquinha, um óleozinho amornado à luz das velas e dos aromas.

Deite-o deitando-lhe um óleo bem escolhido pelo corpo nu as suas mãos a trabalhá-lo suavemente nas costas no pescoço, de alto a baixo, lentamente, nas nádegas nas coxas, sempre lentamente, sem pressa há muito tempo.

Nu também aliviando tensões na mente no corpo trocadas por tesões e uma vagina húmida, um ânus ardente, as mãos meigas num pénis teso numa boca a querê-lo um crescendo firme, num abrir abrir.

Faça-a, não esqueça o óleo nem a oportunidade.

A masturbação faz bem a uma relação

22:30 0
A masturbação faz bem a uma relação
Há momentos nas relações de amor em que as coisas se tornam rotineiras e vence-nos o sentimento de aprisionamento de querer algo mais. 

Não é coisa que acontece só com relações longas, acontece com todas, muitas vezes depois do primeiro filho, em que o sexo se torna quase uma obrigação na maioria das vezes convencional ou de afirmação masculina.

É aqui que aconselho a necessidade de se ser às vezes radical e pedir ao outro com quem dormimos mais habitualmente o cumprimento de um desejo que é normal, só não é falado e muito menos conseguido por ser terra desconhecida, não desvendada.


Seja homem seja mulher hetero homo ou só paneleiro como eu e peça ao seu parceiro para se masturbar à sua frente consigo a vê-lo e ele a vê-lo que o vê.

É necessário intervir, ser criativo, procurar novos interesses, paixões comuns, só que quase sempre com obstáculos culturais, convenções ou crenças, fazendo parecer impuro um desejo humano e por isso normal e puro, germinando a cabeça de travões e limites que não o de se ser efectivamente bom e querido aos outros.

Aqui vai o conselho do pimentinha:

Parece só uma punheta, só como dizia o outro, o principal órgão sexual não é o pénis ou a vagina, mas o cérebro. 

É por isso que a masturbação acompanhada e vista pelo parceiro é uma experiência sexual tão intensa muito mais do que aquela que se tem numa normal relação sexual.

Nesta vemos o prazer do parceiro. Estamos de fora como espectadores e a entrega, a dádiva, a libertação de nós mesmos e da nossa vontade é total.

Por isso bata uma punheta tranquila para a sua mulher ou homem.

Usos do erótico: o erótico como poder de Audre Lorde

23:26 0
Usos do erótico: o erótico como poder de Audre Lorde
Em resposta às críticas do conservador Jesse Helms sobre seu trabalho, assim se expressou:
"Minha sexualidade é parte integrante do que eu sou, e minha poesia é produto da interseção entre eu e meus mundos [...] A objeção de Jesse Helms ao meu trabalho não tem a ver com obscenidade [...] ou mesmo com sexo. Tem a ver com revolução e mudança. [...] Helms sabe que meus escritos estão voltados para a destruição dele e de tudo o que ele defende".


Os Usos do Erótico: O Erótico como Poder, por Audre Lorde

“Há muitos tipos de poder: os que são utilizáveis e os que não são, os reconhecidos e os desconhecidos. 
O erótico é um recurso que mora no interior de nós mesmas, assentado em um plano profundamente feminino e espiritual, e firmemente enraizado no poder de nossos sentimentos não pronunciados e ainda por reconhecer. Para se perpetuar, toda opressão deve corromper ou distorcer as fontes de poder inerentes à cultura das pessoas oprimidas, fontes das quais pode surgir a energia da mudança. No caso das mulheres, isso se traduziu na supressão do erótico como fonte de poder e informação em nossas vidas.

Como elas expõem erotismo sexualidade em Biografias eróticas

15:50 0
Como elas expõem erotismo sexualidade em Biografias eróticas
Os diários sexuais femininos são um fenómeno editorial. Entre os autores, há pessoas de vinte anos que relatam um passado de prostituição ou de sexo selvagem.

Quando me coloquei na cabeça que a opção mais fácil que eu tinha para me sustentar quando saía da casa dos meus pais seria ser uma prostituta, pensei: 'Como vou ser uma prostituta, eu Eu quero ser alguém'

Ela tinha 17 anos. Ela veio de uma família de bom status económico, estudou nas melhores escolas de San Pablo. 

Raquel Pacheco, assim, tornou-se Bruna Surfistinha, uma brasileira que hoje, já aposentada, é uma das autoras mais lidas de seu país. 

Foi o suficiente para ele contar em um livro - O doce veneno do escorpião - seus três anos dedicados a sexo pago e drogas. A primeira edição vendeu 10 mil cópias. E um filme será feito. 

Biografia Erotica
A garota de 21 anos é uma celebridade no seu país. Tem a sua própria página web que é visitada por 15 mil internautas por dia, e no seu blog conta com luxo detalhes dos seus encontros com homens, mulheres e casais, as festinhas em que participou e as suas aventuras nos clubes de swingers. 

E agora, você pode acompanhar as suas notícias pós-prostituição. "Desde que eu era uma boa menina este ano, o Pai Natal trouxe-me um presente". Eu quero ser 100% Raquel novamente. Eu faço um brinde grato de Raquel para Bruna. A nova Raquel nunca iria emergir sem Bruna. " 

E ela menciona o dinheiro que ganhou (será muito, um pouco?) com essa vida. Além disso, ela dá conselhos às mulheres sobre como conquistar um homem. E como se comportar com eles.

E para os fãs do voyeurismo, já havia uma história com cem escovadas antes de ir para a cama, da italiana Melissa Panarello. 

Biografia erótica
Uma adolescente que, entre os 15 e 17 anos, ofereceu sexo em sua aldeia de Acicastello, perto de Catania, no sangue da Sicília. A menina, entediada em casa, e em pleno despertar sexual, decidiu testar-se completamente. Primeiro, ela se preparou. Então ela foi à procura de um amor idílico (quem não tem, nessa idade?). Finalmente, não parou.

Na Itália, ele vendeu um milhão de livros e direitos para 23 países e fez um filme de sua vida.

A vida sexual de Catherine M pode ser um pouco forte, devido às suas altas doses de sexo cru. E talvez fosse apenas outro livro, se não fosse a autobiografia da literatura erótica do passado, a prestigiada crítica de arte, jornalista, ensaísta e editora da revista Art Press: a francesa Catherine Millet. 

Biografia Erótica

Foi por isso que mais de meio milhão de livros foram vendidos? Ou porque ela fez e contou seu sonho - talvez compartilhado por milhões: ser possuído por tantos homens quanto possível.

A vida sexual de Catherine é um livro atípico, e isso, de certa forma, é uma limitação quando nos confrontamos, investigamos e comparamos o mundo do sexo. E aqui não falamos sobre qualidade ou intensidade, mas sobre formas de conceber o relacionamento íntimo. Para o autor, sexo e por isso ela confessa é uma função mais fisiológica, assim como comer ou dormir; Algo que poderia ser verdade em alguns momentos tensos, normalmente não é.

E se o ato sexual puramente físico é prazeroso, se é feito com amor ou já com amor, o resultado é imensamente melhor. 

Em contraste, Millet nem sequer levanta a questão dos sentimentos, que é o que realmente faz o sexo se tornar mágico. Ela também fala muito sobre sexo grupal, algo que, como lemos, deve ter sido moda em certos ambientes parisienses, mas isso está longe das preocupações do leitor comum. As descrições mecânicas de como ela era possuído por até 20 homens e coisas assim são o menos interessante do livro, que se move entre o relatório, a confissão e aqui é a sua maior reflexão de atracção.

Shangai Baby, do chinês Wei Hui, é outra história que se volta para o erotismo, mas com a textura de um haiku (poesia oriental). 

No entanto, a mulher chinesa que estava à procura de aventuras sexuais chocou o governo de seu país há cinco anos. A proibição oficial e a queima de 40 mil exemplares do romance, por "decadente, vicioso e escravizado da cultura ocidental", não ampliaram o interesse pela história contada ali. 


Biografia erótica
Um pouco em tom biográfico, outro pouco na ficção, Wei Hui propõe submergir no interior de uma geração de jovens chineses que enfrentam tabus sociais como a homossexualidade e as drogas. No mercado negro, o romance de Wei Hui vendeu mais de dois milhões e meio de livros pirateados. Razão que chegou para atrair a atenção internacional; foi traduzido para 24 idiomas e seu autor ficou famoso. Aos 32 anos, Wei Hui mora com a mãe em Xangai, tornando-se referência para uma geração de mulheres na China do século XXI.

A ORIGEM DA NECESSIDADE DE ESCREVER.

Agora, o que leva essas mulheres a contar suas aventuras sexuais? Apenas uma questão de mercado.

"Neste tipo de trabalho, existe um sistema armado de construção mental sobre o erotismo que se reproduz, que retorna a si mesmo, como um fim. 

É retornar ao corpo de maneira repetitiva e obsessiva; uma permanência no desejo, sua formulação e sexo ", analisa a escritora Tununa Mercado, para quem o livro de Catherine Millet é um desafio neste campo literário. 

Por quê? Em princípio, diz Mercado, porque a marca das aventuras sexuais na literatura sempre foi viril. "Essa ordem de dominação, penetração e triunfo sobre o feminino, que está quase violando e que não é questionada demais", observa. 

Madonna no meu Portugal erótico

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Madonna no meu Portugal erótico
Há uma coisa que Madonna não é, é turista. E se reside agora em Portugal, é mais uma viajante, o que quer dizer que quer sentir e procurar significado nessa estadia.

Muitas têm sido as razões que apontam para essa decisão, a de viver em Portugal, uma a do filho futebolista David Banda ter um lugar de treino no Benfica, a outra parece ser a de privacidade, e a outra ainda, a razão fiscal.

Surpreende-me é quem sendo rico, como imagino que será Madonna, decida, na sua perfeita razão, entre umas quantas centenas de países mais civilizados e eloquentes, trocar por exemplo Los Angeles por Portugal para viver.

Do filho, com tantos clubes e havendo dinheiro, parece-me exagerada essa razão. 

Da razão fiscal, de residência sem impostos, também não me parece razão suficiente, dadas as maquinações existentes de a eles poder fugir. Residir em Portugal só para poupar alguns cobres parece-me um sacrifício desproporcionado, que certamente os especialistas da diva saberiam resolver.

Da privacidade, essa sem dúvida existe, face à natureza do próprio povo, ameno sim, mas pouco dado a diferenciar quem mereceria tratamento especial, evidenciado pelo episódio do estacionamento dos 15 carros da cantora, em que logo apareceram almas padrão da comunidade dizendo "ela é igual às outras só tem é de pagar".

E Madonna mereceria tratamento especial em Portugal? Se calhar sim. Só que isso anularia o efeito, se for esse, pretendido, que é ninguém lhe ligar nenhuma.

Vamos à minha razão, porque se não for essa, Madonna se por cá passar algum tempo, acabará por a encontrar. Não só uma experiência dos sentidos, apesar da sua biografia erótica, após a turbulência, essa acontecerá, como é já sinal pela alteração de percepção que a sua passagem gera. 

Um país de vielas sujas e escuras, de amarelos enegrecidos e macilentos, a sua presença torna-os vivos e sem segredos, um postal indesejado, de um erotismo pré-fabricado, difícil de superar, nem a Madonna o consegue, às húmidas mulheres portuguesas.

O que encontrará em Portugal é um sentido, um místico antigo e subterrâneo, para os estrangeiros, algo demoníaco, a transgressão está na mente, a cabeça a dizer não, um plano transformador sem opção, uma nova existência, nunca mais serão quem são, uma serpente constritora, destrói antes de renovar, muita escuridão por tão pouca luz.


Maias - Serpente da Visão 
Será Portugal a fazer com que a Madonna galáctica descubra a mulher simples que quer ser, e aí Portugal será ainda mais erótico do que já é.


Georges Bataille - O Erotismo

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Georges Bataille  - O Erotismo
De entre os seus principais trabalhos podemos destacar: "O erotismo" (1954); "A experiência interior" (1943); "O culpado" (1943); "A parte maldita" (1949); "A literatura e o mal" (1957), e seu polémico ensaio apontado anteriormente, "Sobre Nietzsche" (1945). 

Bataille ainda escreveu obras literárias como "História do Olho" (1928), "Madame Edwarda" (1941) e "O Azul do Céu" (1957). 

Georges Bataille

No "O erotismo", Bataille defende que o erotismo é uma experiência unicamente humana, não explicável pela ciência, pois no erotismo, a continuidade possível está presente no outro.

Na sua argumentação sobre o erotismo, o ser é convocado a deixar as puras esferas do conceito e pousar nas tramas do corpo. 

Do ser em queda, somos levados àquilo que, ao mesmo tempo que é ultrapassado pelo erotismo, é também a sua chave: a reprodução. 

A aposta na imanência é radical, o ser começa quando começa o corpo, entendido como instaurador do abismo que separa um homem de outro homem, o que nos condena a uma solidão absoluta cujo império cessa apenas com princípio de outro, o império da morte: “Cada ser é distinto de todos os outros. 

Seu nascimento, sua morte e os acontecimentos de sua vida podem ter para os outros algum interesse, mas ele é o único interessado directamente. Ele só nasce. Ele só morre. Entre um ser e outro, há um abismo. 

Esse abismo receberá o nome de descontinuidade – os termos descontinuidade e continuidade são as chaves para compreensão daquilo que o erotismo põe em jogo.
A fim de apresentar a oposição fundamental entre continuidade e descontinuidade do ser, Bataille incursiona no que, na história da vida, precedeu a reprodução sexuada. 

No caso dos humanos (um de entre outros seres sexuados), apenas no nível das células reprodutivas, a morte coincide com o nascimento de um novo ser. 
O embrião é o resultado da fusão mortal (oposta à divisão mortal dos seres unicelulares) entre o óvulo e o espermatozóide, esses “dois pequenos seres descontínuos”. 

Desse modo, na origem da vida está a origem do abismo, a origem da solidão do ser descontínuo que somos: o embrião surge a partir dos cadáveres de dois outros seres descontínuos, o óvulo e o espermatozóide.
É preciso, no entanto, passarmos do espermatozóide ao homem, do óvulo à mulher, para entender que a radicalidade de nossa solidão coloca e é colocada em jogo pelo que Bataille chama de erotismo. 

Fazendo isso, entenderemos porque o homem é um animal-paradoxo, antónimo de si mesmo “e livre para se assemelhar a tudo que não é ele no universo”.
Outras ideias fundamentais desta obra, tratadas nela como um todo são a interdição e a transgressão. As interdições são as restrições impostas - nunca de fora - numa sociedade, para que o mundo humano permaneça com um certo grau de organização.

Elas estão diretamente ligadas ao mundo do trabalho, que é o mundo da acumulação, da ordem e da disciplina. Elas regram o mundo humano e são uma das principais características que nos diferenciam dos animais.

Assim, a interdição pode ser colocada próxima da descontinuidade do ser. Estando esta última ligada à sustentação das formas, ao respeito aos limites.

Já a transgressão é a ruptura, a quebra (temporária) das correntes das interdições, que nos traz a angústia e a sensação de pecado, que são o passo inicial para a entrada no erotismo. 

As transgressões estão ligadas ao mundo das festas, que é regido pela desordem, pelo constante dispêndio, a violência, o gastar de forma desmedida, enfim, os excessos. 

Porém, é importante ressaltar que a transgressão não existe em oposição à interdição - como no caso das ideias de bem e mal na tradição judaico-cristã mas sim a complementa, e não se opõem pura e simplesmente. 

A transgressão é essencial para a passagem do ser de um estado equilibrado para o estado de excesso sexual intrínseco ao erotismo. 

Ela faz emergir certa "animalidade" no homem, porém não acaba com a interdição, nem vice-versa. Sem as transgressões ou sem as interdições, o erotismo nunca estaria completo. 

Segundo Bataille, o cristianismo teria transformado todas as transgressões em pecado, rejeitando a impureza sagrada. Tudo aquilo relacionado às transgressões foi afastado da esfera do sagrado, o que fica evidente no modo como o cristianismo trata a figura de Lúcifer, o anjo da primeira transgressão, que perdeu seu status divino. 

Dentre os estudos que Bataille apresenta em "O erotismo", podemos destacar os dois sobre o Marquês de Sade, onde ele aponta primeiramente como Sade expõe em seus romances, uma espécie de "transgressão total", que iria além das capacidades humanas. 

No discurso de Sade haveria uma espécie de negação total do outro, pois se o erotismo leva ao acordo, ele desmente o movimento de violência e morte que ele é, a princípio. 

Bataille termina os seus estudos" sobre este autor explicando como foi ele quem nos revelou várias "verdades penosas". Ele preparou o caminho para os homens de hoje terem consciência do que significa para eles a transgressão. Assim nos é apresentado um Sade muito mais próximo das ideias contidas em seus livros. 

Agora iremos atentar mais especificamente à ideia de conflito presente no trabalho do autor de "O Erotismo". Ao considerar o erotismo, Bataille estabelece dois planos de conflito: através do deboche, que é uma oposição à elevação moral do pensamento; e através da subjectividade focalizada, que manifesta uma cisão da consciência. 

Para Bataille, o erotismo trás uma contradição insuperável e afirma uma cisão abissal no âmago da consciência. As contradições entre ordem e desordem, razão e instinto não são sanáveis. Desta forma, há uma heterogeneidade no espírito. O erotismo apresenta-se como "paradigma de contraditórios não conciliáveis".

Em "O erotismo", Bataille faz uma extensa dissertação sobre o tema enunciado no título, estudando-o de forma minuciosa e mostrando como ele está intrinsecamente ligado aos homens, sendo uma expressão deste em seus estados extremos. 

Há o erotismo dos corpos, quando os humanos se “cansam de ser a cabeça e a razão do universo” e, transgredindo o interdito, o impossível, fazem do abismo uma possibilidade precária de encontro dos seres, precária porque tal encontro não destruirá a descontinuidade, seus corpos não serão dissolvidos um no outro. 

Eles se apaixonam e, então, querem violar o corpo um do outro, abri-lo. Tiram a roupa, eis a primeira violação, a violência erótica se põe em jogo com a libertação das aberturas dos corpos. 

O ato decisivo é o de tirar a roupa, ele promove o obsceno, a transgressão do impossível que promoverá o encontro – ainda que precário.
A roupa é o biombo móvel que se porta a fim de interditar a encenação visível das regiões secretas do corpo, seus buracos e aclives obscenos, impossíveis ou inaceitáveis “das formas de vida social regulares, que fundam a ordem descontínua das individualidades definidas que somos”, isoladas umas das outras por um abismo. 
Suspenso o biombo das roupas, dois corpos se invadem, primeiro por intermédio dos olhos, depois utilizando o resto do corpo, ou melhor, o corpo inteiro: “A nudez se opõe ao estado fechado, ou seja, ao estado da existência descontínua”. 

A nudez é, portanto, a realização relativa da destruição dos contornos do ser, ou, dizendo de outro modo, a realização parcial da impossível continuidade entre um ser e outro, pois a total continuidade equivaleria à destruição dos seres envolvidos na cena erótica.
Assim, a nudez faz com que os corpos se abram “à continuidade através dos canais secretos que nos dão o sentimento de obscenidade”. 

A obscenidade equivale ao erotismo que perturba e desordena a “posse da individualidade duradoura e afirmada”. 

O império da descontinuidade, da solidão abismal que separa um indivíduo do outro, é abalado pelo movimento erótico. Chegamos, então, ao grande paradoxo do espírito humano.
Tal paradoxo consiste no seguinte: sofremos a solidão abismal da descontinuidade implicada no fato de sermos vivos, no entanto, ansiamos a imortalidade, equivalente da prorrogação infinita dessa mesma descontinuidade que nos angustia e nos abisma.
Bataille divide a atividade humana em dois campos; o gasto improdutivo, mais tarde um equivalente do erotismo, localiza-se no segundo campo.
O primeiro, o do “uso do mínimo necessário”, destinado à “conservação da vida e ao prosseguimento da atividade produtiva”, é o campo que se confunde com a noção de utilidade clássica, segundo a qual a vida tem por finalidade o prazer, mas um prazer moderado: o prazer excessivo seria patológico, devendo se submeter, por um lado, à aquisição, produção e conservação dos bens e, por outro, à reprodução e conservação das vidas humanas – o que para Bataille seria a redução da vida humana à condição mais lamentável.
O segundo campo da atividade humana, oposto ao primeiro, é o dos gastos inúteis, das finalidades sem fins, ou daquilo que encontra um fim em si. O autor francês oferece uma lista de exemplos: “o luxo, os enterros, as guerras, os cultos, as construções de monumentos suntuários, os jogos, os espetáculos, as artes, a atividade sexual perversa (isto é, desviada da finalidade genital)”.
Ele pode ser colocado como um dos precursores do que foi convencionado chamar de "pós-modernidade".

george bataille
Erotismo de George Bataille

erotismo

Devido às contribuições que esta obra é capaz de oferecer, principalmente no âmbito teórico através da discussão de conceitos, ela deveria ser mais frequentemente lida, apesar de seus diversos problemas, principalmente pelos que trabalham com história intelectual, relações de género e os que se interessam pelos acalorados debates sobre pós-modernidade e pós-estruturalismo.