Não me esqueci do meu amor - Biografias Eróticas

Não me esqueci do meu amor

A Estela conta ao "Biografias Eróticas" como tem sido:

Obrigado confessionário por esta oportunidade de falar livremente sem eufemismos. Tem sido muito difícil viver com quem não se sente. O meu marido é uma pessoa assim. Ao principio até tinha prazer nesse sentimento de mulher troféu, levada na vertigem do estar presente, de ser exibida como prova de sucesso, confundia isso com mulher apreciada, entre ruído e obrigações, de  estar sempre sorridente e cuidada, para a fotografia e a capa de revista, até que um dia se fez luz.

Já tinha dois filhos deste homem, também eles troféus do seu interesse, neste teatro maldito de actores sem vontade, presa e agrilhoada ao mau gosto dele, era agora uma observadora, não queria viver esta vida, asfixiada assombrava-me a pessoa, ele era uma coisa dentro de casa, sendo outra quando politico se vendia.
Metia-me nojo por ser ele, nojo ainda quando me queria, só foder para se aliviar, nojo por não dizer a verdade, por ser uma coisa e parecer o que não era, não por me humilhar com outras, dizendo-me quem eram, mas por não merecer respeito dos ingénuos que nele acreditam.

Foi por esta altura que conheci a Pilar, detestava que a chamassem de espanhola, para ela era andaluza, de pai português e mãe do outro lado da fronteira, mulher mais linda que se me atravessou no meu mundo, e me deu oferecida uma nova vida.

Confidenciava-lhe que o meu marido era um porco, dizia ela a rir que o dela tinha a mesma natureza, ser politico não era uma vocação, e que antes de o serem tinham de ser porcos, o que era desgraça no meu infortúnio, era agora motivo de risota e conversa.

Nem o meu marido nem o da Pilar nos procuravam há muito tempo, sentiam o nosso cheiro de desagrado, uma espécie de névoa húmida que pressentiam, mais valia encolherem o rabo, e irem à procura de pocilga para outro lado.

Levou-me a Pilar para um dos anexos à sua casa, uma casa imensa ajardinada, mas naquele recanto único e tranquilo, fazia ela o seu mundo protegido, não se ouvia nada de cá fora, éramos só nós os nossos corpos e sonhos, a juntarem-se como almas gémeas.

Parecia uma gruta exótica, Sherazade passara por ali, deixara o seu cheiro erótico, em mantos e lençóis carmim, onde vontades e egos não sobreviviam, como um destino antecipado, um dia entreguei-me a ela, e ela entregou-se a mim.

Naquela tela de veludo, a Pilar tocou a minha boca, nos meus lábios doces de licor, percorreu o meu corpo aos beijos, mamilos, ventre e os meus pelos, ri-me e saltei com a língua dela no meu umbigo, em tardes longas de amor, sem prazo ou hora para marcação.

Abraçava-a como o meu amor, reciproco nos mimos dela, lambia-me numa fúria de prazer, sussurrava-lhe ao ouvido "acho que te amo, Pilar, que merda", "eu sei, eu sei, também eu, amor", naqueles seus olhos negros, que me fazem chorar.

O marido dela e o meu eram quase amigos, porque amigos amigos, só dos seus interesses, cobardes à caça de presas desprevenidas, de ingénuos crentes naquelas vozes, e reunidos pela tarde, eles e mais outros iguais, com suas mulheres troféu e não tanto, eu e a Pilar comentávamos e riamos, de tanta merda ali escondida, com pena nossa de o saber, por isso acabávamos por ser porcas, apesar de contudo não sermos politicas. 

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