Contos eróticos de natal - # Gaja Energética - Biografias Eróticas
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Contos eróticos de natal - # Gaja Energética

Faz um frio do caralho. Acabei de fumar um cigarro à janela, os meus senhorios não gostam que fume no quarto e tive que pôr o tronco e a cabeça de fora, e fiquei com os cornos todos molhados.
Ouço-os a discutir, até que me apetecia um chá, qualquer merda quente, mas não me quero meter no meio deles, acabo eu sempre fodido, ainda me mandam para o meio da rua, ela é uma bêbeda tarada, entra-me de repente no quarto, não bate à porta nem pede licença, quer-me ver nu e o caralho.

E ele, pior ainda que ela, não trabalha que está doente, mas todos os dias veste calcinha, de mulher com fio dental, e corre corre pro pinhal, pra fazer broche e dar o cu, e de tudo isso a mulher sabe, e um dia até me disse "oi Marcos, você já viu, né, meu marido é paneleiro, se ele rondar a tua porta, me diz, que eu corro com ele.".

Estou farto dos dois, mas preciso do quarto, não me dão nada, nem papel para limpar o cu, e decido sair, meter-me na noite, vou até à velha Deolinda, tem a tasca aberta de certeza, para quê o estabelecimento aberto até altas horas da noite? É que nunca fecha !

Demorei tempo a perceber esta velha, não é pelo dinheiro, é pela sua própria solidão, em vez de estar em casa a olhar para a televisão, está a servir copos aos clientes e a falar, e raio da velha que bom, tem sempre qualquer coisa pra dizer.

E a voz dela acalma como um analgésico, entra mansa e devagar se instala, e hoje preciso disso, disso e de descolar a roupa húmida do corpo, e de vinho, vinho quente, com mel e com whisky, com tudo caralho, um grogue que me faça adormecer.

Merda para estas vielas mal cheirosas, cheira a lixo e a sopa de couve, uma espécie de peido molhado no ar, e a merda é que estou dentro dele, e estas poças cheias de água, tenho as peúgas ensopadas e um buraco no sapato, que mais caralho me há-de acontecer, e esta merda de chuva que não pára de cair.

Entrei na Deolinda, graças a Deus, calor, conforto, "oi Deolinda", "oi Marcos", o cheiro doce a coisas boas, o vapor de água que de mim saía, e a voz desta velha, simples direta e precisa, hoje não quer muita conversa, está a fazer o balanço de si própria, o que ainda lhe reserva a vida, a ouvir música antiga dela, que me fere mas liberta, parece que estamos sozinhos, mas não, a Deolinda apontou-me uma criatura ao fundo, parece mover-se no escuro.


A Deolinda fez-me sinal, assim com a mão na cabeça, a dizer-me que ela devia ser maluca, "cientista choné" disse-me, até que a vejo a aproximar-se, diabo!! que mulher linda!! vinha meio tonta, devia ser da bebida, diz-me a Deolinda "está aqui há quatro horas, veio aqui passar o Natal, com certeza".

Aproximou-se ainda mais, do balcão onde estou sentado, colou-se a mim ao meu lado, deve ter sentido o meu cheiro, de pobre e que vergonha tenho, "oi, parece que estamos sozinhos os dois?", não sabia o que lhe dizer, não tínhamos nada a ver.

Os dentes brancos e certos, a pele macia e bem tratada, a roupa cara e de marca, corpo magro fino esculpido, uns olhos azuis feitos de água, apreciei-lhe uma peça de joalharia, que no pescoço envergava, nem era a beleza da peça, mas mais a forma como a usava, que me levou a crer, ser para não esquecer, a sua perdida inocência.

Ocorreu-me que ao falar-me me agrediu, estranho este sentimento, os pobres devem gostar de estar sozinhos com a sua própria miséria, do lado de cá da vida onde não há luz, onde se é transparente e não se existe, diz-me ela "sabes quem é o Einstein?", agarrado ao meu copo de grogue, abanei a cabeça a dizer que sim, sou pobre mas não sou ignorante, a Deolinda dizia "olha lá vamos nós outra vez com essa porra do Einstein".

Continuou ela bêbada "sabes ele provou que nós somos feitos de energia, e=mc2, a matéria, o teu corpo aqui ao meu lado, é uma ilusão temporária", nunca gostei de mulheres bêbadas, ou de me aproveitar delas, mas agora, sentia-lhe o cheiro adocicado do licor de amêndoa, e a mim apetecia-me bebê-lo da boca dela, e também estávamos sozinhos, a Deolinda era mobília e não contava, e o tempo de Natal é de tréguas.

Respondi-lhe "ai sim?, mas se eu fosse só energia não tinha fome como agora", perguntei à Deolinda se havia qualquer coisa pra petiscar, disse-me que tinha feito peixe frito, se eu fosse só de energia como esta maluca dizia, não me doía tanto o estômago, "sim, mas isso é ilusão nós somos energia, consegues ver? temos reflexos disso".

Ouço a Deolinda "bem meninos, gosto muito de vocês, mas faz-se tarde, vou fechar a casa", passou-se e saí eu e a maluca pra rua, voltei ao frio do caralho, ao desânimo de mais um dia, à chuva ao vento e à merda toda, diz-me a cientista passada, "anda, vem até minha casa, fazes-me companhia, é perto", fiquei assim meio na dúvida, entre uma gaja energética doida e dois senhorios tarados, "anda, comemos qualquer coisa, muito muito café que preciso, tomamos um banho quente, acendemos a lareira, e fluímos até de manhã".

Tomei banho, o cheiro da casa, o cheiro dela, as cores, a luz, fez soltar de mim uma camada de pó e lama, havia ainda eu por baixo, deu-me um robe uma toalha, e na sala vi mais de perto a cientista, e merda!! que era feita mesmo de energia, os meus olhos piscavam feridos pelo brilho intenso, das coxas luzidias, do busto, do pescoço esguio, do pequeno prado negro, de vítreo liquido correndo ao meio no rio.

Deu-me a estocada nos colhões, de um caralho que se levantou teso, que vi estrelas de tão instantâneo foi, esta noite seria uma ilusão, que amanhã seria outro dia, "anda vem, junta a tua energia à minha", eu nem queria saber, energia não me faltava, há anos que a armazenava, pior mesmo era a matéria, que tinha peso e cada vez mais.

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