Conversa no Mac com o meu diabo - BIOGRAFIAS ERÓTICAS
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Conversa no Mac com o meu diabo

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Escuta – disse o demónio, pousando a mão sobre a minha cabeça. Tive um sobressalto de susto, um raio gelado percorreu-me a espinha, não que ficasse surpreendido pelas visitas que me fazia, com quem eu mais falaria? mas agora só por aquilo? por um belo par de mamas?

Mas o diabo afastou-me logo as dúvidas, “não estou aqui por causa desse par de mamas”, à minha frente estava uma jovem costa-marfinense, de olhos negros e sorriso branco, com um decote gratuito de seios dourados, que eu apreciava de perto há mais de um mês.

Era um impulso incontrolável, ela entregou-me o troco, quase lhe senti o calor da pele, e o caralho do cheese burguer, que eu não suportava comer, àquelas horas do dia e da noite, eu olhava para o relógio e determinado não sei porque tipo de destino, como um robot programado, entrava no MacDonalds e mirava aqueles quase seios, que ela tão graciosamente me mostrava.

Ouvi a voz do diabo, “não estou aqui por mamas, eu até me sinto feliz por ver que tu manténs essa constância ao longo dos anos, estou aqui porque as pessoas não estão a rir, alguma coisa implodiu, queimou todo o oxigénio, fez vento mau e consciente, foi, veio, arrancou, e levou-me as almas, e foda-se! até para mim diabo é demais”.

O diabo fez um esgar de nojo e repelência, olhou para o meu cheese burguer, que eu não comia e destinava discretamente ao lixo, “tu que me segues há tantos anos, e eu sei que não o fazes por amor, mas precisamente porque não amas, diz-me porque é que eu desta vez chorei?”.

Eu sabia do que aquele demónio falava, também eu sentira esse estranho sentimento de vazio repentino, alguma coisa arrancara o que restava do meu coração, o caminho que via e interpretava como destino desaparecera.

Não é que isso me preocupasse muito, tinha essa teoria de que para conhecer o mal tinha de vender a alma ao diabo, e era por isso que ele dizia que eu não amava, ou que era incapaz de amar, afinal tinha de escolher ou estava na minha natureza, e ainda me lembro que quando o procurei para assinar o contrato com letras góticas e sangue, ele ficou surpreendido, e disse, “normalmente sou eu que vos procuro”.

Eu perguntei, “choraste como?”, o meu diabo respondeu, “com lágrimas de enxofre e fel, foram só duas, não me queimaram, mas fizeram-me tremer, como podem ser tão maus? é que uma maldade pequena faz falta, o pecado pertence ao equilíbrio dos contrários, eu faço falta caralho!!”

Ele continuou, “Mas o que está a acontecer não, meu amigo, eu não me responsabilizo por esta história vivida, e se não é meu, também não é de Deus, é desse espírito criativo, construtivo ou destruidor dos homens, eu não os inspiro, eles não assinaram um pacto comigo, porque se o tivessem feito, eu tinha dito que não quero isto”.

Apercebera-me que a nossa respiração se tinha tornado lentamente hipnótica o suficiente para nos abstrairmos dos cheiros e ruídos de maxilares e mastigação de bocados de carne no meio de um pão redondo e de pedras de gelo e sorvedelas de refrigerantes.

“Eles não renunciam a nada, a consciência não pesa nesses seus contratos diabólicos, e meu amigo, e há os que, chegado o momento, se recusam a pagar a dívida e pretendem ainda um êxito suplementar, mais poder e glória, e, por fim, procuram enredar‑me, querem levar a melhor sobre o diabo.”

Eu deixara de rir há muito, não involuntariamente como agora em que a esperança se escondera na sombra, mas acreditava que mesmo no inferno, estar perto do mal para o entender era a minha forma de amar, como a minha ida àquele lugar para estar perto da visão inocente daqueles seios cheios de vida que eu queria tanto apreciar.

Perdi a noção que o demónio como veio tinha ido embora, e era noite, olhei lá para fora, a chuva caía e enquanto caía era água, mas quando chegava ao chão era sangue!

Levantei os olhos e pareceu-me ver um homem debaixo dessa chuva, os contornos da sua pessoa não se distinguiam na veste negra de poder, nas feições liam-se a desgraça e a fadiga, o aborrecimento da humanidade e o amor da solidão, nuns olhos de berlinde pérola que brilhavam através da escuridão da noite e do nevoeiro.

Senti um terror em mim profundo, que nem o diabo e os seus demónios tinham conseguido causar.

O céu tornou-se lívido pela violência da chuva que caía, cada célula do meu ser humano tremia, quando senti uma mão a pousar no meu ombro, tinha-me distraído e entorpecido com aquele som rítmico, e dei um pequeno salto na cadeira que me endurecera o rabo, "tens estado a noite toda aqui a falar sozinho?", virei a cabeça e vi os olhos sorridentes e os seios como peras luzidias prontas a colher da quase minha mulher costa-marfinense, "tenho de salvar-te destes hambúrgueres?.

Nem ela, nem o diabo viram, duas lágrimas de sal soltaram-se de mim sem controle ou domínio .. 

Doía-me o rabo, eu coçava e olhava para os seios da minha amiga, a pensar que a luz é mais forte que a escuridão, ela dizia numa língua estranha, "put-in my ass, put-in may ass", melhores dias virão, e só perguntava como podia ter estado tantas horas ali sentado sem fazer nada ..

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