Não há má sorte que sempre perdure - Biografias Eróticas

Não há má sorte que sempre perdure

A Sandra conta ao Biografias Eróticas como foi: 

Mas por onde começar, confessionário? Todos os dias levanto-me, tomo banho, visto-me, como qualquer coisa, levo algum comer, e aí vou, desço a avenida, percorro um quilómetro a pé, faça chuva faça sol, para apanhar um comboio, depois um autocarro, para chegar a um emprego de merda.

A manhã estava muito fria, sai-me fumo pela boca, deixei o Joaquim a dormir, o homem não quer trabalhar, anda deprimido diz, com estas guerras na cabeça, pro que quer não há lugares, uma gare à pinha de gente, mais uma greve dos comboios.

Tiritava ao vento, encolhida em mim própria, porque escolhi esta roupa?, "está um frio do caraças", "tenho de ir neste comboio", apertei-me naquela gente doida, levada no ar contra uma porta, senti o apoio de um jovem, não fosse eu cair, amparou-me pelos quadris, senti-lhe as mãos frias na barriga, recebeu o meu sorriso agradecido.

Confortava-me o calor da carruagem, vapor que saia da minha roupa, cheiro do meu corpo ainda adormecido, o jovem a fazer-me de almofada, preso nas minhas costas o corpo dele, um volume encostado ao meu rabo, que inchava e não parava, e num entre olhar rápido compreendido, ele percebeu que o sabia teso, e que se excitava com o meu cu.

Não sabia o que fazer, se me devia afastar, não sei talvez mostrar-me indignada, o diabo do rapaz a encostar-se, a desculpar-se com a greve e muita gente, saia dali e ia para outro lado?, merda já o vira não sei onde, que pensei "de má já me basta a vida", olha confessionário deixei-me ficar.

Momento atrás de momento, naquele martelar de carris, para meu equilíbrio o poste da carruagem, agarrada a ele para não cair, havia sempre alguém que se mexia, empurrada nessa onda, deixava o meu corpo ir, na inércia da minha vontade, a esmagar-se contra aquela coisa dura, que me roçava por detrás.

Estava a fechar os olhos, a apreciar a minha sorte, meia indolente e esquecida, desperta só pelo tesão daquele caralho, quando senti uns dedos a entrar, a percorrer o meu casaco, como animalzinhos em debandada, à procura do meu corpo, pele com sede da minha pele, pra beber da fonte das minhas pernas.
Photo by Oleg Sergeichik on Unsplash
Num rasgo, pensei virar-me e esbofeteá-lo, gritar àquela gente o que fizera, mas que puto endiabrado, está com os dedos na minha cona, mão grossa que desce pela minhas calças, pelas minhas cuecas adentro, a abraçar os meus pelos macios, a agarrar-me os papos grossos, dedos a banharem-se no meu clitóris húmido.

Confessionário, não sou estúpida, já tinha acordado vencida, não cuspo ao sol nem ao vento, encostei a cabeça ao poste da carruagem, a caírem-me as pálpebras sobre os olhos, abri-lhe as pernas ao de leve, e para cima o rabo um bocadinho, deixei-o entrar ao que vem, gente à minha volta que tossia, a olhar pro tecto e para os lados.

Os dedos dele grossos e rústicos, escorregavam hábeis pelo meu clitóris, bafo quente na minha orelha, nas minhas costas o peito e o caralho dele, tocava em mim como num piano, entregava-lhe o meu rabinho todo, a gemer por dentro em pé à espera.

Esfregava-me a cona em frenesim, aqueles dedos, um dois três quatro, desciam-me pelo clitóris, como carros de corrida lado a lado, entravam juntos dentro da fenda húmida, fugiam pelas nádegas até ao rabo, a puxá-las a abri-las a falarem comigo, "se pudesse aqui comia-te a cona e o cu".

Queria gritar, queria gemer alto e não podia, o meu prazer era silencioso e interior, só eu, aquela mão e os meus sentidos, o nosso cheiro à procura um do outro, no meio de todos, de corpos, de afazeres, de pensamentos, estava calor estava abafado, a língua percorria-me os lábios, tinha a boca aberta? viam-me?, não sabia.

Ele e os dedos não paravam, prazer que me dava sem retribuição, procurava em mim um sinal, se tinha lágrimas nos olhos ou um rubor na face, um estremecer no corpo, ou uma rejeição sensível, fui até ao fundo do meu ser, e subia agora veloz por mim, pela minha própria pele.

Apertou-me os papos da cona, o clitóris todos de mão cheia, a fazer-me doer de prazer, "vem-te" quase a dizer, um choque eléctrico atingiu-me as palmas dos pés, subiu-me pelas pernas, a cona e o ânus, tremeu-me ventre, umbigo, peito, mamilos, um dique a partir, água leitosa translúcida a descer, soltei um "aihhum" intimo e doloroso de me estar a vir.

Os meus olhos foram-se abrindo aos poucos, tinha lá lágrimas para limpar, sentia-me a acordar a regressar à vida, tinha sido tele-transportada de volta àquele lugar, gente a abanar a cabeça, como pequenos martelinhos, a fungar impacientes com relógios e telemóveis, alguns a acordar de tempo perdido, era a minha estação de saída.

Sentia-o colado a mim ainda, vergonha de nos olharmos nos olhos?, saiu atrás de mim virando à esquerda e eu á direita, deixei-me ir até que me voltei para trás, e ainda o vi a fazer o mesmo a sorrir.

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