Tinha chegado há minutos do trabalho, entrei em casa, larguei as chaves no sitio do costume, lá fora faziam cerca de 40 graus, o calor intenso, deixei-me cair no sofá à espera que o meu corpo fosse gradualmente abandonando essa sensação incómoda do exterior, substituída por uma frescura guardada entre paredes o dia todo.
Olhei em volta, como o fazia aliás todos os dias, talvez uma esperança, alguma coisa que tivesse mudado, um bem novo que tivesse acumulado, algo que pudesse acrescentar e dizer que é meu, mas nada, tudo estava mesmo na mesma, menos o dia passado que eu tinha desperdiçado para isso, para ter mais um dia sem surpresas, continuo.
Eu por certo, pensava, também não tinha colaborado, se muita coisa eu trazia de trás, com o tempo todas essas coisas se foram soltando, como lastro inútil, incapaz de manter para continuar a caminhar, amigos, mulheres, paixões, amores, amizades, sentimentos, tudo se tinha esvaziado como um balão cansado de estar cheio, até ficar disforme e engelhado, estava assim a minha alma, sem nada.
A casa estava na penumbra, eu conseguia deambular por ela mesmo escura, e hoje, nem as luzes acendera, o meu despertar, a realidade, bastava-se com a luz da lua ou da cidade, são tantas vezes as que se confundem, e apeteceu-me despir-me, largar as peças de roupa sem uma lógica ou uma ordem qualquer, e entrei no duche, deixei cair a água sobre o meu corpo, a sentir-me um clichê assombrado.
Agarrei no meu pénis, e senti-o volumoso, nem sempre o sinto assim, talvez do calor por que passara, e avaliei-me, talvez o façam todos os homens, mais ou menos vezes, talvez outros não precisem, não me achei fora do normal, comecei a acariciar-me, até o sentir teso, duro na minha mão, puxei o prepúcio para trás, a cabeça apareceu e senti um estímulo forte no ânus, um aperto no esfíncter, o desejo em mim sempre esteve em todo o lado do meu corpo.
A água fresca do duche fustigava-me a pele, que eu bebia e deixava correr, pequenos rios e cascatas desciam pelo meu peito, até ao umbigo e ao pénis, fechei os olhos, movia a mão para a frente e para trás, uma energia acumulada que eu queria que saísse de mim, uma das minhas mãos pousou na minha nádega, um dedo no meu centro traseiro, uma corrente subiu por mim até ao cérebro e ejaculei, bati mais e mais, até escorrer de mim a seiva de que se faz a vida.
Tinha regressado ao sofá, a temperatura agora ainda mais abafada da noite, dispensava que secasse a água do meu corpo, e deixei-me estar ali apenas, a aguardar, a olhar pela janela com reflexos do exterior, pensava, hoje o sexo em mim pode ser de qualquer maneira, tudo tem a aptidão de me satisfazer, menos quando a idade ou outras circunstâncias estabelecem limites, não é preciso fazer escolhas quando se escolhe tudo.
Sentia-me aliviado, o pénis tombara esgotado, para mais esperaria pelo seu momento, aproximei-me nu da janela, sem restrições de comportamento, pensei se alguém me conseguiria ver, mas não, toda a casa se mantinha no escuro, pensei, se alguma vez conseguiria ser um coletor de sentimentos, se sequer isso servia para alguma coisa, ou se buscaria apenas emoções, quanto mais passageiras melhor, daquelas de que não se guarda memória.
Sempre achei que o sentimento é um desejo inútil, até pior, é um desejo egoísta, como se, através dos outros, alguma coisa existisse para nos satisfazer, mas não, preferia emoções simples, de toda a espécie e natureza, talvez houvesse pessoas que se lembrassem de mim, e isso sim era suficiente e emotivo, não restando mais nada para sentir ou guardar.
Decidi sair, procurar um sitio qualquer, para comer, ou quem sabe para foder, não seria guiado pela consciência, seria antes o acaso que ditaria a ordem dos acontecimentos, um pouco pela ação do vento ou das circunstâncias, pensava, quantas vezes tomava um destino, e lá chegado parecia-me despropositado, pouco ou nada próprio para o momento, às vezes diria momento psicológico, que se resumia a um, “não hoje não me apetece, não hoje não me vou sentir bem aqui, não reconheço as pessoas”, e partia para outra.
Percorri as ruas da cidade passando pelos mesmos locais mais de uma vez, era difícil tomar uma decisão que justificasse parar o carro, estacioná-lo, sair e entrar num qualquer estabelecimento, restaurante, bar ou outra coisa qualquer, de maneira que decidi tomar o destino de um local onde havia street food, poderia misturar-me na multidão que ali se juntava, falar só o essencial, eu dou dinheiro e recebo comida, satisfaz e é suficiente.
Chegara há minutos, ainda não tinha chegado ao balcão, e perguntava-me se queria estar ali, se sequer tinha vontade de comer, o local era uma roulote, algumas mesas e cadeiras na rua, um espaço livre com vista para a praia, muita gente a beber e a falar, até que deve ter chegado a minha vez, pedi um gin tónico, não era invulgar, e algo que estava exposto e não conseguia classificar, quando um homem se aproximou de mim e perguntou, “conhecemo-nos?”.
Ele também pediu um gin tónico, olhei para ele a tentar passar revista nas minha memórias, o saber fresco e amargo do gin envolveu-me a língua e correu na garganta, eu disse, “não sei, não estou a ver”, eu afastei-me para um lado e isso pareceu ter um efeito de arrasto nele, porque veio atrás, ele continuou, “eu também estou confuso, mas tenho a certeza de que nos conhecemos, estou a tentar lembrar-me”.
Eu sorri, e olhei discretamente, mirei o corpo dele de alto a baixo, era elegante e maravilhosamente proporcionado, mas achei-o desadequado e demasiado simplista, era um fim de semana à noite, e mesmo que fosse verão e o calor fosse intenso, estar de calções, chinelos e t-shirt naquele local, era o mesmo que dizer que para ele a noite acabaria ali mesmo.
Olhei ainda mais intensamente, e pensei, que talvez ele estivesse a fazer o mesmo, não sabia, reparei no volume dos calções e imaginei um pénis grosso, e isso, não posso ignorar, excitou-me e levou-me para outra esfera, talvez o gin estivesse a fazer o seu efeito, talvez ele tivesse reparado na minha curiosidade, até que ele disse, “vou buscar mais um gin, vou trazer um para ti”, eu ainda ia dizer que não, que já tinha atingido o meu limite, mas ele tinha virado as costas, o que me deu a oportunidade de mirar o rabo forte e musculado.
Também eu tentava lembrar-me e eu sabia que ele tinha razão, eu conhecia aquele homem, só que a memória persistia em não me ajudar, ele voltava agora ao meu encontro, entregou-me o copo, por momentos como que congelou e sorriu, aproximou-se mais de perto, quase do meu ouvido, fez-me sentir o seu cheiro, e ele disse, “já sei, já me lembro”.
Aquela voz, aquele cheiro, o bafo dele da boca, foi como um vulcão a largar lava no meu espirito, eu ouço-o a dizer, “já sei, estivemos juntos”, eu lembrava-me, tinham passado alguns meses, na noite de fim-de-ano, talvez ele como eu, andávamos à deriva, e nessa noite encontrámo-nos, ele disse, “lembras-te, eu comi o teu cuzinho”, eu sorri comprometido, ele continuou, “foi uma das melhores fodas da minha vida”.
Não sabia se aquilo era um elogio, “lembras-te, estava a chover, foi no meu carro, passámos a noite a foder, foi lindo, foi uma loucura, adorei montar-te”, e depois insistia, “choraste de prazer quando te penetrei, eu sei, adoraste e eu também, quando a minha piça entrou em ti, foste à loucura”, as palavras dele excitavam-me e eu sentia, o pau dele crescia de tesão, e não era difícil ver pelos calções, um volume apertado pronto a explodir.
Olhei em volta, não fosse alguém estar a ouvir, mas não, tínhamo-nos afastado, os nossos gins acabavam, e ele disse, “está tanto calor, sabes o que eu gostava de fazer?”, ele puxou-me para algo parecido como um banco de pedra, numa zona meio escura, sentámo-nos, eu perguntei, “o quê? realmente está calor, estou a ferver”, ele encostou os lábios dele perto dos meus, e disse “consegues imaginar o que eu estou a pensar?”.
Eu sorri, olhando-o nos olhos, eu disse, “não sei, estou um pouco embriagado do gin”, ele insistiu, “põe a mão aqui”, e puxou-me a mão para dentro dos calções dele, e eu fechei os olhos, como se não vendo, ou vendo com a mente, pudesse apreciar melhor, apertei o caralho dele dentro da mão, e recordei-me o quanto era grande e grosso e tinha estado dentro do meu cu.
Ele pôs a mão dele sobre a minha a apertar para que eu sentisse ainda mais forte, olhei para o lado e vi um gajo a surpreender-nos e a ver o que fazíamos, eu disse, “acho que consigo imaginar agora”, foi a vez dele sorrir, e eu insisti, “queres mesmo muito montar-me?”, ele abanou a cabeça a dizer que sim, eu continuei, “e se não for tão bom como da última vez?”, ele roçou os lábios na minha orelha e fez-me tremer, “vai ser, amor, andei meses à tua procura, quero tanto comer-te o cu outra vez”.
Olhei outra vez para o lado, e o gajo que olhava para nós continuava lá, eu perguntei, “conheces? Ele tem estado fixado em nós!”, ele virou a cara, “acho que já o vi por aí, acho que ele é como nós, anda à procura de uma boa foda”, ele continuou, “agora que me lembro, encontrei-o numa sauna”, eu estava curioso, “e como foi? Também o montaste?”, ele fez um sinal ao gajo para se aproximar, e disse, “não, nós fodemos uns gajos que estavam lá”, o gajo aproximou-se e cumprimentou-nos, “estava ali a ver-vos”.
Ele aproximou-se do meu ouvido, “acho que ias gostar de levar com os dois”, ele fez sinal sinal ao gajo e, falando de mim, disse, “eu já lhe comi o cu umas vezes no fim-de-ano, uma loucura”, ele olhou para mim e depois continuou, “gostavas de o foder comigo”, o gajo respondeu, “adorava comer-lhe o cu, gosto das curvas dele, tem um rabo maravilhoso”, depois ele virou-se para mim, “gostavas de foder com nós os dois?”.
A resposta parecia-me inútil, o meu desejo explodia por todos os poros, a visão de estar a ser fodido por dois machos não me saía da cabeça, o calor abafado tinha tomado conta do meu corpo, a minha voz espalhou-se num sussurro, “acho que me aguento com os dois, quero foder os dois, mas com carinho”, antes que eles dissessem alguma coisa, eu insisti, “se querem o meu cu, eu quero dar-vos uma boa foda”.
Pareceram segundos que não contam para a história, fomos para o interior de uma carrinha que ele tinha ali perto, estacionada debaixo da noite, despimo-nos todos totalmente e eles pediram-me para estar quieto, não demoraria muito, as mãos deles acariciaram-me o corpo, ele passou-me a mão pelo pénis, depois foi subindo até ao peito e o outro gajo, passava os dedos nos meus lábios, a anunciar que ia pôr o pau dele na minha boca.
E foi isto que me fez lembrar, ele encostou o corpo dele ao meu, como se eu fosse uma mulher, e procurou a minha boca e beijou-me, a língua dele tocou a minha e era quase um beijo de paixão, não sei se gostei, apenas achei facilitar, procurou os meus mamilos e chupou-os com força, foi descendo pelo meu corpo até à barriga e depois engoliu o meu pénis até ao fundo e começou a lambê-lo, fechei os olhos e caí numa espécie de fundo, faltando-me o chão da consciência.
O outro gajo aproveitou, apontou o pau à minha boca e fez força na minha cabeça para eu chupar, e eu chupei ou tentava chupar, duas mãos apertavam-me as coxas e engoliam o meu pénis, para baixo e para cima, até que parou, deixei-me ficar com os olhos fechados, ele levantou-me as pernas, deitou-se sobre mim, e eu senti, a verga grossa forçar o meu ânus e abriu, soltei um gemido forte, “aii foda-se! aiii, o meu cu”, senti-a a entrar em mim até ao fundo, as nádegas dele moviam-se como que à procura de espaço para enterrar a piça ainda mais fundo.
Neste momento eu caia de costas num céu azul de nuvens definidas, o rolo dele entrava e saía de mim, em ondas sucessivas, a martelar o meu cu, com as molas tensas das ancas, a abrir, a desbravar, eu gemia de prazer, “hummm aiiim, ohhh, aiiii, hammm, fode-me mais fode-me”, apertei-lhe as nádegas, a obrigá-lo a ser ainda mais intenso, não queria que o macho ejaculasse, queria que ele me montasse por trás, que abrisse o meu traseiro penetrando-o com força.
Eu pedi-lhe, “deixa-me mudar de posição”, ele saiu de mim e eu virei-me, pus-me de quatro no chão, o meu rabo espetado no ar, a aguardar o veredito, a piça dele escorregou entre as minha nádegas e atingiu o meu ânus bem no centro, abriu-se todos e ele entrou por ele adentro, agarrei no pau do outro, e queria a minha boca cheia de caralho, enquanto ele se satisfazia no meu traseiro, até que o senti a tremer, era inevitável, ele estava-se a vir, deu mais umas estocadas e senti, um jorro de porra escorria do meu cu.
Ele tombou para o lado, e foi a oportunidade do outro, ele correu a montar-me, coisa que ele pedi, “anda, querido, dá-me uma foda também”, ele enterrou o caralho até ao fundo, e eu quase gritei baixinho, “aimm fuck, ohhh, tão bom, hummm, aiii fode-me todo, parte-me todo”, ele começou a bater, eu ouvia o som das ancas nas minhas nádegas, que ele prendia entre as mãos com força, cada vez que entrava malhava com força, até que também ele começou a tremer, soltou um urro cavernoso, e veio-se, golfadas de esperma entravam dentro de mim, até que ele saiu e tombou de cansaço.
Passei a minha mão no meu pau e também me tinha vindo, havia em mim uma sensação de satisfação, os machos tinham-se saciado, durante uns minutos ficamos a olhar uns para os outros, a apreciar o prazer do sexo terminado, ele virou-se para mim e disse, “era capaz de passar a noite a comer o teu cu”, eu sorri e disse, “eu sei, mas hoje chega, só penso num duche agora, o meu cu posso dar-te num outro dia”.
Vesti-me e saí da carrinha, nem me tinha apercebido, estava encharcado em suor e de cheiro a pau
.jpg)