Tinha arrendado a casa há não mais de três meses, um quarto andar num sítio alto da cidade de Lisboa, dava para ver o estuário do rio Tejo, e à noite, no meio do nevoeiro, ouvir as sirenes dos navios a avisar a sua presença, e a minha mulher adorou a casa, o tamanho das divisões, a existência de uma garagem e espaço de arrecadação nos pisos inferiores e claro a vista que já referi.
Outra coisa que ela adorou, para mim era diferente, eu não tinha tempo para relações sociais, ela gostou da vida do prédio e dos seus ocupantes, gente que ela achava importante, muitos deles figuras públicas que era normal vê-los todos os dias na televisão, e acho que a minha mulher a partir dessa altura devia sentir-se uma estrela e uma espécie de pessoa pertencente a um círculo restrito de gente famosa.
Não sei se é essa a experiência de homens casados quando, por uma qualquer razão exterior, isso altera a personalidade da mulher com quem vivem, e ela passa a tratar-vos como uma espécie de assistente, em que a única função na vida conjugal passa a ser transportá-las para onde desejam ir, para carregar sacos de compras, para participar nos convívios de elite, e claro, acompanhar isso tudo com mais gastos de dinheiro.
E isso foi acontecendo com o tempo, que até não era muito, já referi dois ou três meses, o suficiente para ela substituir a nossa intimidade por uma exterioridade em que tudo o que importava era a sua relação com outras pessoas, neste caso com os vizinhos, quase os assediando nos elevadores, na garagem coletiva, ou um sitio qualquer onde as suas vitimas fossem apanhadas.
Foi com este ambiente, que cada vez mais me desmoralizava, um dia desci à zona das arrecadações privadas, espaços bastante generosos, onde as pessoas depositavam algumas das suas coisas, liguei a luz artificial, e enquanto caminhava pelo corredor a tentar perceber qual era a chave da porta, ouvi um ruído, quase parecia alguém a sofrer um castigo qualquer.
Estava há pouco tempo no prédio, e por isso ocorreu-me que o melhor era continuar e fazer de conta que não era nada, seguir o meu caminho, em direção à minha arrecadação, e depois no regresso, se o ruído continuasse, logo decidiria o que fazer, se ser eu a intervir ou talvez, muito mais avisado, chamar alguém para me ajudar com o assunto em questão.
E no regresso assim foi, abrandei o passo, tentei ouvir se o ruído tinha acabado, pus-me a ouvir o melhor que podia, e realmente o ruído mantinha-se na mesma, uma espécie de som persistente, e alguém que a cada batida, gemia como se estivessem a bater, decidi esperar que o temporizador da luz apagasse e, assim, no escuro, tentar ver pela fechadura, ou encostando a orelha na porta, para tentar perceber melhor o que era dito.
Tentei não fazer qualquer tipo de ruído, não queria que percebessem que eu estava ali, baixei-me um pouco, o meu olho encostou-se no buraco, e percebi que conseguia ver uma boa parte do interior daquela arrecadação, e a primeira coisa que vi foi uma piça a entrar no cu de alguém, que não demorei muito para concluir que aquele cu era de um homem, e que um gajo estava a foder o cu a outro, e esse outro, quando a piça entrava, soltava um gemido da penetração por estar a ser feita com força.
A sensação foi imediata, foi como um esticão, uma onda apanhou-me o peito, desceu pelo meu tronco abaixo e, num segundo, estava com o meu caralho teso de estar a assistir aquela cena, a piça do gajo era enorme, agarrava as nádegas do outro gajo, e entrava com força a bater com as ancas no traseiro do outro, e a minha angústia foi tão grande que senti-me na dúvida sobre qual o papel que me daria mais prazer se estivesse na mesma situação, ou a enrabar aquele cu, ou a ser enrabado por aquela piça.
Ouvi que eles estavam no final, aqueles sinais de que se estão a vir, e achei então que era altura de ir embora, em direção ao elevador, para regressar à minha casa, a pensar se deveria contar à minha mulher, quando um gajo que ia a querer entrar no elevador, pede para prender a porta e entra a correr, a porta fechou-se e senti logo o cheiro, a caralho e cu, de quem esteve a foder, e a face vermelha, via-se bem, tinha acabado de fazer sexo.
Encostei-me de lado na porta e ele estava mais à frente, basicamente o que eu observava eram as costas dele, no meio daquele cheiro de tesão que inundava o elevador quando subia, olhei para o traseiro dele, em especial para a roupa, só para tentar perceber se ele era o homem da piça, ou o que eu acabara de ver a levar no cu, e a conclusão foi quase evidente, o estampado dos calções, de um azul esverdeado, era o gajo que tinha estado a ser fodido, e a levar no cu.
O gajo da piça, claro, assumi que ele tinha ido embora, e concentrava-me agora nesta pessoa, até parecia pertencer ao tal círculo de que a minha mulher falava, e pelo botão que marcou ao entrar no elevador, vivia mesmo em cima do mim, e quando saí, ele deu-me passagem, eu virei-me, sem querer, penso, olhei-o nos olhos, eu sorri largamente, e disse, “estamos há pouco tempo no prédio”, ele correspondeu com um sorriso, e deixou que se fechasse o elevador, e para mim, naquele momento, ele era como um desconhecido.
Entrei em casa e a minha mulher reclamou, dizia ela, “tanto tempo, o que andaste a fazer, era só ir lá abaixo?”, isto fez-me decidir logo, o melhor era ficar calado, e depois, nem sei como ela iria reagir, se soubesse que um dos gajos do prédio tinha saído de casa, e ido lá abaixo às arrecadações só para levar no cu, isso podia ser demais para ela.
Posso dizer que nessa noite não dormi, não me saía da cabeça a visão da piça a entrar no ânus do gajo, ele dobrado sobre uma mesa e o outro por trás, a avançar e a recuar com as ancas, a bater nas nádegas dele com força e ele a gemer com pequenos suspiros, como a evitar gritar ou de gemer mais alto, ele dizia, “ai foda-se, que foda, caralho, fode-me o cu com força, mais mais”.
E depois no elevador, admirei o corpo dele e não tinha nada de feminino, não era que fosse um homem másculo daqueles que cultivam o corpo, mas todo ele era seco, de alguém que, apesar de tudo, faz tudo para estar saudável, o cabelo cacheado, a pele bronzeada, e o traseiro, principalmente, o traseiro, redondo e bem espetado, de quem quase se percebe que tem o gosto especial e erótico de outro tipo de sexo que é o de satisfazer machos.
Perguntei à minha mulher se sabia quem ele era, e ela teve logo resposta pronta, que já o vira no elevador, que era um rapaz muito elegante e bonito, que ele, contava ela, no elevador não tirou os olhos do corpo dela, e que, ao que parecia, era estudante de medicina, vivia com a mãe que era uma senhora da elite, também ela muito elegante e muito rica.
Há coisas que, chamem-lhe destino, quase sempre estão destinadas a acontecer, e uns dias depois, talvez pela mesma hora, fui à arrecadação nas caves, e quando passei pelo corredor como era costume, ele estava a abrir a porta juntamente com o gajo da piça, e quando passei por eles saíram-me palavras da boca sem eu as conseguir controlar, “posso entrar com vocês, posso ver, só quero ver”.
Claro que eles ficaram a olhar para mim com ar de surpresa, e pela cara deles perguntavam-se o que é que eu queria dizer, e então eu com uma voz muito baixa, quase nem eles conseguiam ouvir, eu disse, “já vos ouvi a foder”, eles riram um para o outro, e virando-se para o gajo da piça grande, disse, “está bem, mas já vi que não podemos fazer barulho”
Entrámos na arrecadação, aquilo era um espaço do tamanho de um quarto médio, cheio de coisas de decoração, e num canto, uma mesa e o que parecia ser uma cama pequena com colchão, olhei em redor e imaginei todas as histórias que aquele lugar poderia contar, eles despiram-se até ficarem nus e olharam para mim quase se questionando qual seria a minha função naquele encontro.
Ele virou-se para mim, “se queres ver, gostava que te pusesses à vontade”, e foi o mote para dizer que queria que eu me despisse também, eu tirei a t-shirt, os calções e as cuecas e num segundo estava tão nu como eles, olhei para o gajo da piça e vi o quanto era grande e grossa, já estava tesa e na mão do meu vizinho que a acariciava, puxando a pele de cima para baixo.
Comecei a acariciar o meu caralho, já estava teso como pedra, desta vez eles baixaram-se para a cama, o meu vizinho agarrou na piça do outro e chupou a cabeça, engolindo-a devagar, a luz interior era fraca, para mim era como ver um filme, ele apertava o caralho com os lábios, descia por ele abaixo deixando um rasto de saliva, o gajo da piça olhou para mim e sorriu.
Para mim foi o momento para o mirar melhor, a pele negra era a sua marca geral, não tinha mais do que vinte anos, o corpo torneado e músculos bem visíveis de alguém que faz trabalho de ginásio, o galo ereto e teso de um tamanho enorme e preto como carvão, tudo com uma energia contida pronta a explodir e a dar uma foda de doer.
Nos dias anteriores, eu tinha-o visto a foder o traseiro do meu vizinho, a força como ele penetrava o ânus dele sem piedade alguma, essa imagem não saia da minha cabeça, fechei os olhos a imaginar-me naquele lugar, aquele pau a comer o meu cu, a imaginar como seria, se eu ia gostar, e não era porque eu fosse virgem ou coisa parecida, já tinha uma história, mas era uma coisa antiga e passageira, mas agora havia um desejo preso, a querer soltar-se e a procurar uma liberdade.
O meu vizinho parou de chupar o caralho, lentamente ele subiu para cima dele e com uma elegância quase feminina, olhou para mim para trás, e agarrou com a mão o rolo preto e apontou-o ao ânus, fixou-se nos meus olhos, e deixou-se cair com a verga a penetrar o cu, a escorregá-lo até ao fundo.
Ele rodou a cabeça, virou a face para o ar, fechou os olhos, e soltou um suspiro, por microssegundos a verga grossa manteve-se parada dentro dele, depois, como as rodas de um comboio, o tronco dele moveu-se para cima, as nádegas abriram-se ao de leve, e o galo grosso apareceu, subia e descia por ele, num movimento ondulante, e eu mirava a explodir de tesão.
As mãos do gajo da piça apertaram-lhe o rabo, como garras que lhe prendiam as nádegas, e ele começou a acelerar, o rolo grosso entrava e saía a uma velocidade que faziam o meu vizinho gemer, “aihmm foda-se, ahim caralho”, e eu acariciava o caralho, a bater uma punheta, a lutar para não me vir e a guardar-me até ao fim.
O gajo bateu numa nádega do meu vizinho, a pedir para ele se virar, ele pôs-se de quatro no chão, e o outro montou-se em cima dele, como se um cão tivesse a foder uma cadela, o rolo preto entrou no cu, e bateu no fundo com força, o meu vizinho levantou a cabeça e soltou um grito de dor, “aiii, foda-se, o meu cu, aihmm caralho”, o outro batia, entrava e saía, no ânus retesado do meu vizinho.
Até que eu senti, eles e eu estávamos no limite, o gajo contorceu-se e gemeu, deu mais uma estocada no cu do meu vizinho e começou a vir-se, eu acelerei a punheta e o meu semên saiu e caiu no chão, o rolo do outro gajo saiu do ânus e golfadas de porra branca escorriam pelas pernas abaixo.
Lembro-me que saímos depois, o gajo da piça abandonou o prédio, e eu e o meu vizinho fomos para o elevador, quando entrávamos ele perguntou, “gostaste?”, eu pensei, só tinha estado a vê-lo a levar no cu, mas isso tinha-me excitado muito, e respondi, “adorei”, e eu sorri, ele olhou para mim, de alto a baixo, e sussurrou ao meu ouvido, senti o corpo dele perto do meu, e ele disse, “podíamos foder os dois, gostavas disso?”, eu senti o cheiro dele, e respondi, "sabes, sou casado, não sei", ele continuou, "eu sei, mas adorava ter um amigo como tu, para fodermos quando nos apetecesse".
Neste momento o elevador já subia, em segundos chegaria ao meu andar, quando estava quase a parar, eu respondi, “talvez, acho que sim, que gostava”, ele fixou os meus olhos, “parece que estás com dúvidas?”, a porta do elevador abriu-se, “sim eu tenho dúvidas”, a porta fechou-se antes que eu saísse e o elevador arrancou para mais um andar, ele perguntou, “que dúvidas?”, eu sussurrei, “talvez eu seja mais passivo, goste mais de levar no cu”, ele riu-se, “não te preocupes, querido”.
Entrei em casa a ferver de ansiedade, eu e ele tínhamos hora marcada para o dia seguinte, lá em baixo na cave do prédio, a minha mulher perguntou, “ai querido, só agora, demoraste tanto”, eu respondi, “estive a arrumar coisas, amanhã tenho de voltar”, e no dia seguinte encontrei-me com ele e percebi, a sensação era diferente, éramos só nós os dois, e parecia que uma intimidade mais forte nascia, a promessa tinha sido feita, e que sabia que desta vez era ele que me ia comer o cu.
O corpo dele cobriu o meu, como se eu fosse uma mulher, os lábios dele procuraram os meus, e as nossas línguas uniram-se numa só, num desejo continuado de sexo, eu abri as pernas curvando-me um pouco para cima, o caralho dele tocou no meu ânus, e foi como bater à porta.
Primeiro foi mais leve, depois forçou mais um pouco, eu fechei os olhos a cair no espaço, a piça dele entrou, enterrou-se dentro de mim, o rabo dele movia-se para os lados, como uma onda do mar a bater nas rochas, a boca inundou-se de saliva, e eu sonhei, estava a satisfazer um gajo, ele tremeu, eu tremi, e viemo-nos juntos, tombando os dois na cama amolecidos.
Mais tarde, lembro-me que a minha mulher desta vez irritada perguntou, “deves ter estado a levar no cu para demorares tanto tempo lá em baixo, só podia”.
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